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09/02/2011

Qual dos 3R´s do consumo consciente você mais pratica?

Reciclagem é pequena no Brasil por vários motivos ainda relegados na cadeia do lixo

O Brasil gasta R$ 8 bilhões ao ano por não reciclar o lixo que deveria ser reciclado. Isto porque reciclar é quinze vezes mais caro que jogar o lixo em aterros. Do lixo coletado no país, 76% fica a céu aberto. Isto é equivalente a 182,4 mil toneladas/dia. O restante vai para aterros (controlados, 13%; ou sanitários, 10%), usinas de compostagem (0,9%), incineradores (0,1%) e uma insignificante parte é recuperada em centrais de reciclagem.

A enquete realizada por meio do site do ORBIS (de outubro de 2010 a fevereiro de 2011) sobre o hábito mais freqüente da população quanto a destinação do lixo, entre: REDUZIR, RECICLAR, REUTILIZAR e NENHUM revelou que 36,5% dos participantes acreditam que repensar os hábitos, reduzir o consumo de embalagens descartáveis e até recusá-las é mais eficiente que separar o que pode ser reciclado do que não pode. A opção ‘reciclar’ teve 34,5% da preferência dos votantes e a ‘reutilizar’, 22,7%. Os que declararam não praticar nenhum dos três R’s representam 6,3%.

Reduzir parece ser a melhor opção, pois, atualmente, pouco do que é separado e coletado é recuperado. Além disso, a quantidade de lixo produzido parece estar crescendo em ritmo mais acelerado que o de crescimento populacional. Além do maior consumo, as embalagens tem papel importante neste aumento. Além do próprio produto – que cedo ou tarde acaba virando lixo – cada produto carrega consigo as embalagens utilizadas para protegê-lo e/ou valorizá-los

Pouco do que é coletado é reciclado

Mesmo a cidade de Curitiba (PR), uma das primeiras cidades a implementar a coleta seletiva doméstica de resíduos sólidos no Brasil e considera por muitos referência neste aspecto, consegue transformar muito pouco de seus resíduos em matéria-prima a ser reutilizada nos processos produtivos. A massa coletada de resíduos domésticos e resíduos públicos per capita em Curitiba em 2007 foi de 335 Kg/ano e a cidade conseguiu recuperar apenas 60 gramas/ano por habitante. Isto quer dizer que 99,98% vira realmente lixo.

Além disto, a taxa de material recolhido pela coleta seletiva (exceto matéria orgânica) em relação à quantidade total coletada de resíduos sólidos domésticos é de 3,66%. Os materiais mais recuperados são o vidro (17,5 %) e o metal (14,4%).
O lixo produzido por Curitiba aumentou 10% entre os anos de 2003 e 2007, sendo que a população nesse mesmo período cresceu 7,5%. Na Região Metropolitana, no mesmo período, o volume de lixo aumentou em média 26%.

Coleta seletiva deficiente

Não se recupera muito lixo porque a separação e a coleta seletiva são deficientes ou inexistentes. Na maioria das cidades, o lixo é minimamente separado e coletado com fins à reciclagem. No Brasil, dos 5.565 municípios, apenas 1.065 possuem algum serviço de coleta seletiva. Destes, 376 (35,3%) possuem coleta em todo o município.

Papel dos catadores

Os catadores cumprem importante função na recuperação de materiais. No Paraná, por exemplo, dos 399 municípios, 336 (84%) possuem catadores na zona urbana. Na Região Metropolitana de Curitiba, esse percentual cai para 80%.
Dos 399 municípios, apenas 115 (28,8%) possuem cooperativas ou associações de catadores. 78% dos municípios possuem algum tipo de manejo de resíduos especiais, sendo: 68% resíduos de serviços de saúde; 32,33% resíduos de construção de demolição, 23,56% pneumáticos; 24% de embalagem de agrotóxicos e 14,54% resíduos industriais.

Apenas 10,53% dos municípios possuem coleta de pilhas e baterias e 9% deles possuem manejo de lâmpadas fluorescentes.

Responsabilidade das prefeituras

Melhorar a coleta e a reciclagem parece ser responsabilidade das prefeituras. É realmente! Mas principalmente a coleta exige apoio da comunidade, pois a maior parte do lixo é coletada diretamente nos domicílios. No Paraná, por exemplo, as administrações municipais são, hoje, as grandes responsáveis pelo lixo das cidades.

Na maioria das cidades (72%), o manejo é executado pela Prefeitura juntamente com outras entidades. Em 17,54%, a prefeitura é a única executora. Apenas em 10,78% dos municípios o manejo de resíduos sólidos é executado por entidades que não a Prefeitura.

Fontes:

PORTAL IPEA. Disponível em: <www.ipea.gov.br>. Acesso em: 10/02/2011.

SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO (SNIS). Brasília: Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, 1995 -2007.

UNIMED DO BRASIL. Manual de Consumo Consciente. [S.l.]:Fundo Institucional Unimed.[2007?]

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. Pesquisa de Informações Básicas Municipais. 2007. Disponível em: <http://www.ibge.com.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/default.shtm>. Acesso em: 10/02/2011.

 
 

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Comentários da Enquete

07/04/2011ana alice

eu e minha mae reciclamos o lixo sempre !

16/03/2012Mayane Lorena

Achei muito interessante a postagem sobre o lixo, acho que esse tipo de noticía deveria ser mais valorizada pois é um problema muito sério...

06/05/2012Alex Goes

O melhor jeito de aproveitar o lixo que é jogado fora é conscientizar as pessoas sobre a sua separação antes de jogá-lo. Se perde muito porque o lixo é muito misturado. Com o apoio do poder público seria mais fácil essa conscientização. Tenho até uma ideia que tenho certeza que seria muito útil, mas até agora não consegui apoio.

03/12/2013elder rocha

Concordo

26/05/2014Maria do Socorro

Concordo . E esse assunto deveria ser multiplicado e explorado pela mídia. A redução do consumo é a melhor opção, pois trabalha o problema na origem. Conscientizar é o foco.

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