Paraná está próximo de zerar seu desflorestamento
Análise destaca uma redução florestal de apenas 0,14% entre 2008 e 2010
A preocupação com a preservação do meio ambiente aumentou nos últimos anos e está norteando ações públicas e privadas. No final das décadas de 80 e 90, o Paraná era o campeão no desmatamento da Mata Atlântica, mas agora está próximo de zerar a perda da cobertura florestal. Um estudo realizado pela Organização Não-Governamental (ONG) Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aponta uma redução florestal de apenas 0,14% entre 2008 e 2010.
O Paraná possuía, originalmente, 83,41% de sua área coberta com florestas. A exploração da madeira e depois a cultura do café, reduziram já em 1950, 39,67% a cobertura florestal do Estado. Em 2010, a cobertura reduziu a 10,52%.
Alguns municípios do Estado estão na frente em relação à redução do desmatamento: Guaraqueçaba, Antonina e Guaratuba, todas localizadas no litoral. O município de Guaraqueçaba tem a maior área de mata atlântica do Estado em seu território, porém não possui Conselho e Fundo Municipal de Meio Ambiente, realidade que ocorre em 67% dos municípios com menos de 10 mil habitantes.
Além de quase zerar o desflorestamento, outro avanço do Paraná é o aumento progressivo de áreas de proteção, totalizando 404 unidades de conservação.
Impactos - Conforme o gráfico abaixo, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que em 2008, 85% dos municípios paranaenses declararam ter observado ocorrências impactantes no meio ambiente nos últimos dois anos. Desses, 13% alegaram que a alteração ambiental afetou as condições de vida da população.

As mudanças climáticas estão custando para o mundo cerca de 125 bilhões de dólares e 300 mil mortes por ano. Anualmente, o planeta perde, aproximadamente, 36 milhões de hectares de florestas virgens.
Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2010, a mudança no uso da terra e a redução da área de florestas são as principais causas das emissões de CO2 representando 76,3% das emissões.
Mesmo percebendo as alterações causadas pela falta de preservação do meio ambiente, a maioria dos pequenos municípios do país não possui legislação ambiental. Uma legislação específica sobre o tema foi criada em 94% dos municípios entre 50 a 100 mil habitantes e 88% dos municípios com que possuem mais de 100 mil habitantes. Apenas 37% das cidades com menos de 10 mil habitantes possuem legislação específica para tratar da questão ambiental, conforme quadro abaixo:
|
Porte do Município |
Não |
Sim |
|
entre 10 e 20 mil |
55% |
45% |
|
entre 20 e 50 mil |
32% |
68% |
|
entre 50 e 100 mil |
6% |
94% |
|
mais que 100 mil |
13% |
88% |
|
menos de 10 mil |
63% |
37% |
|
Total geral |
53% |
47% |
Fonte: IBGE, Perfil dos Municípios Brasileiros
Mesmo com o decréscimo do desmatamento no Estado, muitas ações ainda precisam ser feitas para reduzir a emissão de gases poluentes, incentivar a reciclagem de lixo e, principalmente, conscientizar a população
Fontes:
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA - IBGE. Perfil dos Municípios Brasileiros 2010. Disponível em < http://www.ibge.com.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/default.shtm>
CAMPOS, J. B. Unidades de Conservação: ações para valorização do Paraná, Curitiba: Instituto Ambiental do Paraná, 2006.
PRESIDENCIA DA REPUBLICA. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: relatório nacional de acompanhamento, Brasília: IPEA, 2010. Disponível em:
FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA; INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica: período 2008-2010. São Paulo, 2010. Disponível em:
GLENN, J. C.; GORDON, T. J; FLORESCU, E. 2009 State do the Future. Washington: The Millenium Project, 2009.
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28/08/2010Aureo Gaspar
Parabéns aos paranaenses! Que sirva de exemplo para todo o Brasil, inclusive para o meu sofrido São Paulo. Espero que algum dia possamos comemorar o término do desmatamento em todo o nosso país.
Sobre o autor
Orbis
O Observatório Regional Base de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis) atua desde 2004, a partir de Curitiba (PR), para o desenvolvimento sustentável.É composto por uma equipe multidisciplinar que produz análises e monitora a prosperidade e da qualidade de vida com ênfase no estado do Paraná.
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