Sustentabilidade XXI : Educar e inovar sob uma nova consciência.
Governos, empresas, academia, sociedade civil e cidadãos devem se empenhar urgentemente na identificação de áreas de cooperação, soluções e ações conjuntas efetivas visando a nossa sobrevivênvia como civilização.
O tema sustentabilidade é vital para todos nós, no entanto, está em perigo de ser banalizado. Durante as últimas décadas temos debatido o assunto exaustivamente em congressos, fóruns, trabalhos, entrevistas e conversas com amigos e colegas. As palavras sobre este tema saem com facilidade da boca de políticos, empresários, cientistas e comentaristas diversos. Como seres pensantes, sabemos e aceitamos que não temos alternativa a não ser seguir o caminho do desenvolvimento verdadeiramente sustentável. As evidências são mais do que contundentes.
Entretanto, na história recente, cada vez que as diversas crises econômicas alimentaram o espectro da incerteza futura, parece que as práticas de sustentabilidade voltaram a ser itens de luxo, sacrificados no altar das conveniências políticas e financeiras setorizadas ou de curto prazo. Passadas as crises, crescer, crescer, crescer costuma voltar a ser a palavra de ordem dos racionalistas. Senão morreremos de incapacidade competitiva – ao menos é o que dizem.
Não pode mais ser uma coisa ou outra. De fato, são as duas coisas: é desenvolvimento e é sustentabilidade. Há muitas iniciativas em prol da sustentabilidade pipocando no mundo inteiro à espera de mais contribuições humanas de todo tipo. Há redes sociais conectando empresas e cidadãos para enfrentar os desafios da chamada sustentabilidade XXI. Por isto, ativar a consciência de um número crescente de pessoas de que devemos primeiramente nos salvar de nós mesmos é um dos fundamentos na construção da almejada sustentabilidade. Outro, é a necessidade de desenvolvermos a percepção sistêmica das dinâmicas da sustentabilidade e sermos capazes de sair do debate e da retórica e abraçar corajosamente as ações necessárias para integrar a sustentabilidade na maneira que aprendemos, inovamos e desenvolvemos a multiplicidade de atividades individuais e coletivas típicas do nosso cotidiano.
O que está em jogo não é propriamente a terra, mas a qualidade da vida humana e do processo civilizatório conforme nos acostumamos a conhecê-los. Isto significa lidar com aspectos econômicos, tecnológicos, sociais, culturais e políticos que vão além das questões do ambiente natural. Tornou-se imperativo compreender que nunca poderemos construir e conservar um sistema harmonioso se o ponto de partida for uma visão estreita.
Sabemos que não está ao nosso alcance construir o paraíso. Podemos, no entanto, nos empenhar para melhorar nosso mundo e estilo de vida. Podemos refletir a respeito do desafio de se oferecer uma educação empresarial responsável e se promover o valor da inovação sustentável, como caminhos em favor do bem-estar da vida humana no planeta.
O entendimento de que o espaço para mitigação não mais existe e que formas radicalmente distintas de organizar e produzir são necessárias, leva à conclusão de que o momento requer a construção e a conservação da capacidade da convivência autêntica, olhar sistêmico e coinspiração. E isso, por sua vez, só ocorre onde o diálogo liberador e construtivo é assegurado.
Com base nessas provocações, feitas na Apresentação do livro Sustentabilidade XXI : Educar e inovar sob uma nova consciência, de Rodrigo C. da Rocha Loures, o que você diria sobre o papel das pessoas na construção desse mundo sustentável?
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18/06/2010Douglas Soares
Concordo plenamente! Deixamos de cuidar e agora temos a responsabilidade de melhorar para as gerações futuras, o que não é tarefa fácil...
Parabéns pela iniciativa e trabalho!
28/08/2010Aureo Gaspar
Parabéns pela análise! Entender e dissolver esta aparente contradição entre o discurso e a prática, entre desenvolvimento e sustentabilidade, é um dos grandes desafios junto a quem têm capacidade econômica e que precisam ter vontade política para mudar no
Sobre o autor
Rodrigo Rocha Loures
Rodrigo Rocha Loures é empresário e presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Também é secretário do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade (Movimento Nós Podemos).Análises deste autor
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