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Temos que permanecer jovens

.. e manter nossa capacidade de adaptação

Quem já não ouviu falar que para mudar costumes e tornar o mundo mais ético e sustentável será necessário educar as crianças hoje para colher os frutos no futuro? Talvez tenhamos que rever essa estratégia e começar a fazer nós mesmos as mudanças. Os jovens terão cada vez mais dificuldade de trazer naturalmente as soluções para os problemas do mundo. E por quê? Porque eles serão minoria.

Temos que permanecer jovens

No Brasil, em 1983, quase um terço da população (29%) era composta por jovens entre 15 e 29 anos. Em 2010, esse percentual caiu para 26,5%. A previsão para 2050 é de que se reduza para 16%, representando apenas um sexto da população total. A convencional pirâmide etária se transforma em um vaso quase perfeito.

Fecundidade e políticas públicas

O rápido declínio da fecundidade brasileira é resultado, entre outros aspectos, das transformações socioeconômicas decorrentes da urbanização, tais como:

  • maior participação da mulher no mercado de trabalho;
  • aumento do nível de escolaridade;
  • o movimento feminista e o uso generalizado de métodos anticonceptivos e
  • o desejo de conforto e de consumo de bens duráveis.

Isto tudo associado ao aumento da expectativa de vida e ao decorrente envelhecimento da população dão ao Brasil um novo padrão demográfico. Em função de seus impactos na dinâmica ambiental, econômica e social, o padrão demográfico de um país faz parte de um conjunto de indicadores que orienta a definição de políticas públicas.

Oportunidades e desafios

Esses impactos criam novas oportunidades e sérios desafios, exigindo novos direcionamentos e estratégias de todos os setores da sociedade, com destaque para as políticas sociais, especialmente àquelas voltadas à saúde, previdência, educação, trabalho, desenvolvimento econômico.

Considerando que essa tendência de transformação da estrutura etária do país de uma composição jovem para envelhecida parece irreversível, parece também ultrapassada a velha idéia de que a solução dos problemas do mundo virá das próximas gerações. As oportunidades trazidas por esta situação passam rapidamente, mas os desafios vieram para ficar.

Mais convivência

Tempo maior de aprendizado mútuo, por outro lado, todos terão, pois os jovens permanecem por mais tempo morando com a família, o que indica também redução no choque de gerações. Em domicílios de maior poder aquisitivo (mais de 5 salários mínimos per capita), mais de ¾ dos jovens na faixa de 20 a 24 anos, e quase a metade na de 25 a 29 anos, ainda moram com os pais. Nos domicílios cujo rendimento per capita não chega a ½ salário mínimo, a situação tem se mantido sem alterações significativas nos últimos 10 anos.

Educação

Fato realmente preocupante, por outro lado, são os indicadores educacionais:

  • dos jovens de 15 a 17 anos, apenas 57% terminaram o Ensino Fundamental;
  • dentre aqueles com 20 a 24 anos, 44% não concluíram o Ensino Médio;
  • entre os de 25 a 29 anos, 43% concluíram o Ensino Médio e apenas 11%, o Ensino Superior.

Diante desses números, fica uma pergunta: “será que não estamos desperdiçando os frutos da maior geração de jovens de todos os tempos na melhoria da vida neste país?”. Será a próxima geração a responder?

Fontes:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
Projeção da população do Brasil por sexo e idade - 1980-2050
Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar – 1998 e 2008
Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil - 2009

ABEP – Associação Brasileira de Estudos Populacionais.

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Comentários da Análise

18/06/2010Douglas Soares

Concordo, nosso país é jovem - mas temos de 'envelhecer' nos aspectos sociais, educacionais e principalmente de políticas sérias.
Parabéns pela brilhante análise.

15/11/2010Densilva

Muito boa a nota. Aqui estamos trabalhando no sentido de disseminação dos oito objetivos com inclusão dos jovens. Porque deixar a conta para outros pagar ?

Sobre o autor

 

Orbis

O Observatório Regional Base de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis) atua desde 2004, a partir de Curitiba (PR), para o desenvolvimento sustentável.

É composto por uma equipe multidisciplinar que produz análises e monitora a prosperidade e da qualidade de vida com ênfase no estado do Paraná.

 

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